sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Conto fantástico - " Vinte cinco horas "

Era um dia normal. Os empresários trabalhavam, os médicos consultavam, as donas de casa cozinhavam, as crianças estudavam. Mas em Pacítiba, diferentemente das outras cidades, o tempo era suficiente e não havia o que os terráqueos conhecem como pressa. O tempo era suficiente para o dia, era tudo calculado para dar tempo, ou não. Pois, na cidade onde o tempo não era problema, não havia por que cronometá-lo. Nesse dia, um prédio, que aparentemente ninguém o conhecia, estava com uma legião de pessoas observando com curiosidade. A explicação veio logo em seguida num murmúrio que circulava pela tranqüila cidade. O motivo; um elevador.
Até eu quis experimentá-lo. A novidade era surpreendente, quase nenhum habitante acreditava. Os poucos que experimentavam a nova sensação sumiam caladamente. Por isso, eram poucos os corajosos. Mas eu e a Rosa fomos um dos que arriscaram. Inacreditavelmente, Rosa era quem eu conhecera em conversas de elevadores passados, ela morava no mesmo edifício que a minha família morava. Ela e eu e o elevador. E a surpresa. E o medo. E o desconhecido. E um simples elevador que, suspeito da minha maior inexperiência e desconfiança, apenas desenhava seu percurso. O prédio antigo tinha 20 andares, na época era o maior. E tal imensidão se confirmou dentro do elevador. Não sei onde estou, não sei onde Rosa está, o elevador incansalvemente continua subindo. Posso avistar o prédio aqui de cima, só não consigo enxergar o que sobrou de quem ficou, estou longe, tão longe.. E sem a exatidão do tempo posso esperar o próximo encontro.

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