sábado, 28 de novembro de 2009

Morfologia da realidade

A idéia da modernidade é tornar-se possível tudo o que é impossível. Mas, qual o limite dessa velocidade em busca de aprimoramento? O ser humano, incessantemente, corre atrás de invenções que aumente a velocidade das suas próprias aptidões e, na Revolução Industrial, o fator velocidade foi amplamente questionado com a invenção do primeiro automóvel que, permitiu atualmente uma liberdade de espaço. Entretanto, essa tal liberdade é um paradoxo na medida em que transformou piamente a relação tempo e espaço.

Inevitavelmente, um automóvel te leva a qualquer lugar que há estrada, todavia, dentro dele há uma perda de espaço na realidade do motorista, afinal, a visão dele limita-se a somente a parte interiorana do carro e a paisagem percebida através da moldura da janela.

A fila de carros que forma-se no trânsito da vinte três de maio pode ser o início de uma reflexão se confrontada com o grafite em preto e branco representado em um muro da avenida. O desenho evidencia o quão antigamente a vida era limitada as cores, as formas, aos volumes de informações, enfim, a velocidade que existia no cotidiano.

Entretanto, a modernidade – no caso os carros –, diferentemente do que as pessoas pensam também está limitada a um espaço presente. Afinal, a fila de carros impede que haja um movimento, ou seja, há uma barreira espacial.

Tal reflexão é estudada e debatida por geógrafos, na qual, Paul Virilio, estudioso de assuntos como esse, afirma que “o espaço não está mais na geografia – está na eletrônica [...]”.
Campo amplo de perguntas e supostas respostas, as diversas realidades sucumbidas pela velocidade do tempo parecem entrelaçarem-se no percurso da modernidade na qual o ser humano vivencia hoje. O caminho do limite está paralelamente perto e longe, reto e curvo, efemero e eterno, solido e liquido.

Passo por passo, farol por farol, pedra por pedra, continuemos incessantemente a buscar o limite estatico, o desvendar de novas cidades na mesma cidade, a descobrir novos espacos nas forma que a modernidade e realidade transformar-se.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Velocidade (i)limitada


Porta. Motor. Portão. Porteiro. Velocidade, essa parte durou muito pouco, logo veio o semáforo. Vermelho. Verde, verde. Vermelho. Amarelo, ufa, passou perto. Poucos quarteirões se passaram, mas o tempo voou e, dentro de seu potente carro, o ar condicionado mantinha o clima agradável. Diferentemente do lado de fora, que era calor, muito calor. Ônibus, motos, carros, caminhonetes, kombis, até um triciculo com um caveira pendurada no banco, todos passavam ao lado, vagarosamente, o transito na 23 de maio estava intenso no sentido Ibirapuera.
Uma hora e meia já havia se passado, desde que saira de casa no Tatuapé, em direção ao seu trabalho em Moema. Estações do rádio. CDs. Ipod. Silêncio. Estações do rádio. Buzinas. Gritos. Silêncio. Ainda era quarta feira.
Até que, limitado à visão da janela do carro, olhou para o lado e em pretoe branco revelou-se uma grande obra de arte, retratando homens e mulheres em um tempo passado, estáticos, presos nos limites de seu tempo. Então, o olhar no retrovisor revelou um homem no presente, estático, preso a falta de limites do seu tempo.

Propaganda sobre cigarro (depoimento)

Hum… Como é gostoso o verdadeiro sabor de uma suculenta lasca de picanha. O cheiro que vem da churrasqueira nunca foi tão apetitoso. Há fumaça por toda a volta - que vem direto da brasa do carvão - e hoje ela me incomoda, pois entendo como é ruim ter uma chaminé ao meu lado.
Quando meu filho mais velho se aproxima com um cigarro na mão, sinto a pesada culpa, meus anos rendido ao cigarro tiveram uma dura consequência.
Quando vejo meu filho mais novo brincando no jardim percebo minha grande responsabilidade. Agora tenho a chance de fazer as coisas diferente.
Enquanto respiro fundo, percebo que fiz a escolha certa.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Video LIP II - Depoimento de um conto fantastico

Reflexo

Ela se maquiava olhando no espelho.
Ela se vestia olhando no espelho.
Ela fazia poses olhando no espelho.
Até que um dia, ela, somente ela, se olhou no espelho.
Nesse dia não enxergou tecidos e nem cores.
Enxergou ela, somente ela.