terça-feira, 17 de novembro de 2009

Velocidade (i)limitada


Porta. Motor. Portão. Porteiro. Velocidade, essa parte durou muito pouco, logo veio o semáforo. Vermelho. Verde, verde. Vermelho. Amarelo, ufa, passou perto. Poucos quarteirões se passaram, mas o tempo voou e, dentro de seu potente carro, o ar condicionado mantinha o clima agradável. Diferentemente do lado de fora, que era calor, muito calor. Ônibus, motos, carros, caminhonetes, kombis, até um triciculo com um caveira pendurada no banco, todos passavam ao lado, vagarosamente, o transito na 23 de maio estava intenso no sentido Ibirapuera.
Uma hora e meia já havia se passado, desde que saira de casa no Tatuapé, em direção ao seu trabalho em Moema. Estações do rádio. CDs. Ipod. Silêncio. Estações do rádio. Buzinas. Gritos. Silêncio. Ainda era quarta feira.
Até que, limitado à visão da janela do carro, olhou para o lado e em pretoe branco revelou-se uma grande obra de arte, retratando homens e mulheres em um tempo passado, estáticos, presos nos limites de seu tempo. Então, o olhar no retrovisor revelou um homem no presente, estático, preso a falta de limites do seu tempo.

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